terça-feira, 29 de novembro de 2016

meu corpo: meu lugar para chamar de lar (recorrido por 2016) #parte1

dezembro de 2015 foi um mês terrível, janeiro somente transmitiu o que já estava acontecendo. em dezembro voltei para o Brasil (depois de um semestre interessante e uma bonita viagem no final!) e não tinha mais nenhum lugar para chamar de lar, janeiro fui acolhida pelas minhas tias da forma mais carinhosa e amável que a situação permitia.

estava incomodada com infinitos silêncios estabelecidos, falta de compromisso, apego, respeito e empatia. Mudei de estado com a cara e com a coragem. A suposta mudança virou uma "volta ao passado" que eu já não estava disponível. Um mês depois estava fazendo as malas para casa da minha tia outra vez.

Lidei com a realidade crua e sair desse lugar virou objetivo. Porém tentei infinitas vezes fazer conexão com os cabos que ainda restavam. Passou um, dois, três meses... eu já estava sufocada com tanta indecisão, falta de empatia e desrespeito. Pensei muitas vezes em pegar os cabos para tirar minha própria vida. Psicóloga, psiquiatra e remédios eram apenas questão de tempo.

entre consultórios, derrotas, insonia e solidão, ainda conseguia pensar num projeto de investigação, sair para tomar coca cola - esporadicamente - com xs amigxs (obrigadx xs que ficaram!) e pensar no "amanhã".

um dia antes do meu aniversário recebi a notícia que passei no mestrado fora do país. iniciei a luta por mim mesma, já que tinha esperado meses por alguma resposta que me fizesse ficar. nada apareceu nem com o resultado de despedida.

12 de julho deixei o Brasil. deixei para tentar me encontrar e estudar sobre um tema que tanto sou apaixonada. além de tudo, fui descobrindo o significado do amor e da distancia, da lealdade e da vontade de ficar juntos.

"Sonho que é sonhado junto, vira realidade" e talvez esse seja o maior problema das relações: o ser humano é egoísta demais para sonhar junto com o outro.