sábado, 20 de fevereiro de 2016

"ela é do seu padrão"

o amor romantizado é realmente muito bonito. cultivamos ele desde criança, nas novelas, nos filmes, nos livros. e a maioria vai crescendo com a ilusão que cada um ~cer-umano~ tem sua alma gêmea. vai encontrar aquela pessoa perfeita, que combina nos mínimos detalhes, que o sexo é fantástico, os encontros são maravilhosos. e claro, já existe um padrão pré estabelecido para alma gêmea que vai chegar. seja pelo porte físico, na condição financeira, no status educacional. a partir de questões sociais cada pessoa vai construir como sera ~a alma gêmea~. isso mesmo, construir.

pois bem, é nesse contexto que questiono que tipo de amor é esse que dizemos sentir. sera que é amor ou a condição do outro nos faz sentir esse tal amor?

eu sempre busco a congruência do amor pleno, amar sem questionar. mas infelizmente as outras pessoas não. e olhe, é duro. uma vez questionei a pessoa que estava comigo "e se eu fosse um homem" e obviamente a resposta foi direta "eu não iria querer você!". claro que não iria querer a mim, eu, como mulher, estava no seu padrão, eu me comporto como mulher feminina, na roupa, no corpo, no jeito de falar. e ali, naquele momento, eu fui reduzida ao corpo que pode ser exibido socialmente. e um corpo que pode "ser amado".

o padrão aprisionada. e é terrível saber que a gente somente é amado pelo outro por que se encaixa no padrão dele. não existe o ser humano, as ideias, os sonhos, as vontades, os desejos... você é descartado/não amado, se você não for coerente com o padrão do outro.

que tipo de amor é esse?
é por amor, ou por status?
eu te beijei 
uma vez
e te beijaria
outra vez mais

eu te toquei,
troquei
te inventei

eu cheguei,
fui
neguei

eu entrei
montei
lambuzei.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

JOY: EU NÃO QUERO TERMINAR COMO MINHA FAMÍLIA

"Eu não quero terminar como minha família". Essa frase dita pela protagonista do filme, Jennifer Lawrence, retrata a magnitude de uma obra tão bela e delicada que é "Joy".
Quantos de nós já nos dissemos isso? Quantas milhares ou milhões de pessoas percebem que aquelas famílias perfeitas provenientes de comerciais de margarina jamais será a sua? Quantos de nós crescemos em lares defeituosos, verdadeiras prisões que minam e sufocam nossos sonhos diariamente? Uma mulher. Uma família. Um sonho. A proposta de "Joy" parece simples e clara, mas é arrebatadora.
O filme, apesar de contar a história da protagonista, que leva o mesmo nome da obra, trata-se de mim e de você. Pessoas que dia após dia buscam se convencer diante do espelho que sua vida irá mudar, que sua hora chegará e que o que se vive não passa de uma brincadeira de mal gosto feita pelo destino ou forças ocultas.
Desilusão. Dor. Tristeza. Ansiedade. Pressão. "Joy" conta a história de uma mulher guerreira, que ainda menina tinha sonhos como eu e você e os fiava durante a doce inocência de sua infância, sem saber que a vida os arrancaria da sua mão em um piscar de olhos.
O que era um início de uma vida feliz se desmorona com a separação dos seus pais. O pai atencioso e herói se transforma em um ser insensível e alienado; a mãe, outrora provedora e cuidadosa, torna-se um ser em estado catatônico e depressivo e a meia irmã uma inteira competidora.
Sua única fortaleza é a sua avô Mimi. Seus únicos bens são seus filhos. Seu único sonho? Criar coisas que sejam amadas e admiradas por todo o mundo.
E assim "Joy" persegue, dia após dia, obstáculo após obstáculo, perda após perda, tentando re-significar a sua vida e ir à contramão da sua família que a ver como uma mera dona de casa desempregada.
"Joy" sou eu, é você, é aquela menina que largou a faculdade para cuidar da mãe depressiva. É aquela adolescente que abdicou da sua juventude para cuidar da doença da avó, é aquela mulher que sempre aturou os erros do pai e parece viver aos frangalhos, em pedaços, buscando manter tudo aquilo que já desmoronou, de pé.
"Joy" é um para-raio da sua própria família. Aquela como muitos que é a primeira lembrada na hora dos problemas e aflições e a última na hora de repartir as pequenas glórias de uma vida conturbada. Ela é a mulher que queria ser menina, que se cansa de ser grande e que, as vezes, acredita que a vida é um emaranhado de problemas diários, mas que porém que no fundo nutre uma fé, tão fraca como a luz de uma vela que a aquece e a move em busca dos sonhos seus.
"Joy" é um lembrete em quase 2 horas de filme que por mais clichê que isso possa parecer: não desista dos seus sonhos, descubra o seu proposito, e que quanto mais o mundo lhe parecer estranho sorria para ele.
Viva e não deixe que ninguém o faça por você. En-joy!
"Nunca pense que o mundo lhe deve algo, porque não lhe deve nada." (Joy)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

não sou teu objeto sexual
nem aquela que te vai oferecer 
proteção

meus peitos já não são 
para tua boca,
minha buceta já não fica melada
em você

˜não vou voltar nossa relação por medo de ficar só˜
e olhe,
não vai mesmo
EU NAO DEIXO!

comigo só fica 
por afeto
não por falta de opção!

eu não deixo.
sou mulher forte
valente
corajosa
que deseja apenas o próprio bem

você não encontrou o amor em mim
mas talvez encontre em outro alguém!

você apareceu,
foi,
e me deixou sem ninguém...

hoje, eu mesma lambuzo minha buceta!

domingo, 14 de fevereiro de 2016

eu fiquei com medo de não conseguir sobreviver. durante semanas eu pensei em suicídio. foram terríveis semanas. eu quase conseguir executar o plano com sucesso... se o segurança do local não tivesse me visto tentando arrombar uma janela do 10 andar. eu agradeço a ele, agradeço muito. eu iria jogar meu corpo no concreto, e não iria aproveitar dessa paz. não iria aproveitar tudo que espera por mim! continua doendo, mas não como antes. eu não penso em suicídio agora, e sei que tenho muito para contribuir ainda. a vontade pode surgir novamente, mas nesse momento somente quero aproveitar da paz...