sexta-feira, 4 de março de 2016

Em 8 de Março, não quero flores.

“Eu costumava achar que era louca” (um relato de um relacionamento abusivo)

Quantas vezes disse para mim mesma: “Levante, chame um táxi e vá embora”?Quantas vezes me levantei e não me reconheci no espelho? Quanto ódio eu senti pela mulher que me olhava de volta? Mas ele nunca me bateu.
Quantas vezes voltei para aquela cama, em vez de entrar num táxi, e acordei com os braços dele em volta de mim, dizendo que a culpa tinha sido minha? Ele não era assim. Eu é que trazia à tona esse lado dele. Eu tinha de mudar. Parar de acusá-lo. Se eu fosse mais gentil, ele reagiria de outro jeito.
Quantas vezes mudei minha abordagem antes de perceber que a única maneira de evitar o abuso era não tocar no assunto? Mas ele nunca me bateu.
(…)
Quando tudo terminou, não tive direito a luto. Ninguém era capaz de entender como amor, ódio, medo e conforto podiam coexistir. Não entendiam que, além de abusar de mim, ele era meu confidente, a pessoa para quem eu cozinhava, a pessoa que passava o domingo chuvoso assistindo TV comigo, a pessoa que ria comigo, a pessoa que me conhecia.
Perdi meu companheiro. Como explicar que o abuso era só uma parte dele? Como explicar isso para si mesma?
Até hoje lembro de momentos carinhosos e me pergunto se as coisas eram tão ruins assim. Ainda tenho dificuldade em reconciliar como ele podia me amar e me machucar como se eu fosse a inimiga.
(…)
Espero que minhas palavras abracem outras mulheres. Espero que elas deem a força e o amor de que elas precisam para sair das profundezas. 

Um comentário:

  1. Fortissimos os recortes.
    Esse tema é urgente. Precisamos nos libertar e libertar as irmãs dessa prisão. Dessas prisões.


    To passeando pelo blogspot e caí aqui. Lindeza.

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