terça-feira, 26 de abril de 2016

Do Fundo do Meu Coração - Adriana Calcanhoto






pode ser agradável no momento. meia duzia de palavras. algumas explicações para mudar o rumo. um encontro meio sem jeito. um beijo meio obcecado. meio perdido. meio pela metade.

mas logo depois tudo é destruído quando a outra pessoa diz que aquilo não vai para lugar nenhum. e eu volto para meu mundo juntando os caquinhos. com a companhia do café e das frases. é como se eu já soubesse de tudo aquilo, mas fico lá sabotando minha própria vida. buscando um motivo para auto piedade.

mas bem,

eu realmente acho que quando o amor profundo aparecer... ele não vai ter vontade de ir embora, nem vai deixar de ligar por uma semana, nem muito menos vai deixar de acreditar. e não vou ficar como louca achando que a pessoa morreu e esse foi o fato pelo sumiço... afinal, será que sou a única que deseja ficar perto?

gênero

Depois de uma conversa muito amorzinho com uma amiga, ela solta "você já questionou seu gênero?".

Obviamente muita gente nesse mundo já questionou, mas eu não sou uma delas. Adoro meu corpo de mulher (peitos, te amo) e tenho uma relação linda com minha parte íntima (buceta, te amo).

porém...

prefiro meu cabelo curto, raramente uso maquiagem, não sou extremamente sensível, sou loucaaaa para ser mãe, compro roupas na seção masculina para crianças - camisas principalmente - e já tive envolvimentos com homens e mulheres. sou uma mulher diferente da clássica e simplesmente amo! e toda vez que descubro mais alguma coisa em mim, vou me sentindo mais realizada.

eu acho, honestamente, que a gente deveria deixar de ter tanta frescura como nossos coleguinhas se expressam. gente, qual o problema de sair das caixinhas macho-fêmea e encontrar o meio termo disso tudo? o mundo é tão diverso... e a gente categorizando o baby de homem ou mulher assim que olha seu pênis ou sua vagina, respectivamente.

gênero*, na minha opinião (e de muitos teóricos!) simplesmente foi introduzido, constituído e mantido para expor a hierarquia. homem no topo, claro. realmente acho que tem gente que não tem a mesma necessidade que eu tenho de mesclar algumas coisas, outras pessoas tem muito mais necessidades, outras simplesmente gostam da caixa... e a gente pode viver em sociedade assim.

mais um ponto aqui, que sempre me deixa incomoda. homem também sofre com essa caixa. o boy precisa manter a masculinidade, pois ele é o topo da hierarquia. e se faz alguma coisa diferente do homem viril já é apontado como "viado" (no sentido bem pesado da palavra). digo isso pois sempre namorei homens sensíveis e não houve uma relação que deixaram de questionar a sexualidade deles por isso.

será que a gente ainda não percebeu que cada pessoa se expressa e convive na sociedade de uma forma diferente? vamos respeitar o coleguinha, só isso.

(cada dia estou me aproximando mais do não-binarismo. aaaaaa gênero é realmente um tabu!)

*gênero ainda é um termo que vai se construindo. em algum momento foi até colocado como sinônimo de mulher. imagina só! felizmente as pesquisas vem avançando - com a ajuda do feminismo e das ciências sociais (me identifico mais com essas bases de estudo).

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Gilberto Santa Rosa - Conteo Regresivo







"Aquí empezó el conteo regresivo...
Cuando llegué a cero se acabó
Tú te vas yo me voy, nos vamos los dos
No hay razón para quedarnos tú conmigo yo contigo
El amor está perdido lo nuestro se terminó
Sin remedio se murió
Aquí empezó el conteo regresivo..."


Vamos dançar essa última música, afinal... quando chegar no zero tudo acabará, né?

sábado, 23 de abril de 2016

Helen no puede dormir



"Na verdade, meu mergulho noturno foi minha segunda tentativa de suicídio. Dez dias antes, eu dei minha echarpe Alexander McQueen para Claire, escrevi um bilhete de desculpas e tomei dez comprimidos para dormir de uma só vez. Para meu horror, tinha acordado vinte e nove horas mais tarde, sem vestígios de passar mal. Exceto por continuar viva, claro. Ninguém sequer reparou na minha ausência, e ser obrigada a explicar a Claire que ela teria de devolver minha echarpe foi o menor das minhas preocupações. (“Eu só dei para você porque achei que iria morrer e isso seria desperdício de uma echarpe tão boa, mas continuo viva e a quero de volta.”) Eu acreditava realmente que os velhos remédios para dormir dariam conta do recado, e foi um profundo golpe descobrir que me matar não seria tão fácil quanto eu previa. Fiquei tão desmoralizada, que achei que não havia sentido em tentar me matar novamente."* Helen no puede dormir, Marian Keyes.

*tradução minha.


quinta-feira, 21 de abril de 2016

meu bem,

eu preciso de você. preciso do teu abraço para me tirar da cama todos os dias de manhã. preciso das tuas palavras, preciso do teu carinho. meu bem, eu realmente preciso de você. os remédios não andam fazendo efeito e eu sinto que estou transbordando. lembra como eu estava confiante no nosso ultimo encontro? essa confiança já não existe...

você irá dizer que é um quadro depressivo, que eu não irei conseguir sozinha, mas eu preciso pedir ajuda as pessoas que moram comigo. para me tirar da cama, para me levar ao banheiro... estou tão esgotada dessa doença. estou tão cansada de diagnostico! será que é difícil entender que eu só quero me sentir bem?

eu não consigo me concentrar nada. não consigo escrever, não consigo traduzir, não consigo interpretar. não consigo! tudo ficou meio perdido. eu passo algumas horas bem, depois de muita luta, fazendo alguma atividade que me agrada... e logo depois já estou pensando em voltar para cama. te falei que entrei em aula de capoeira?

meu bem, eu estou tentando. mas eu realmente gostaria de você comigo. por algumas horas, por alguns dias, por algumas semanas.

em pouco mais de três semanas tenho uma entrevista de mestrado, em um mês um teste de proficiência. em junho uma viagem. em julho outra...

eu preciso ficar bem. eu preciso ficar bem. eu preciso ficar bem, meu bem.


segunda-feira, 18 de abril de 2016

coração valente

desde menina eu sabia o significado de crise. no meu corpo corria um sangue preto e pobre, que precisaria lutar. e assim foi... e assim é. meus pais batalharam muito para levar o pão de cada dia para dentro de casa. minha mãe nunca foi política, meu pai sim. e foi com ele que aprendi a dialogar com mundo.

minha mãe sofreu racismo sua vida toda. e sua cor, foi passada para mim.

meus pais sempre incentivaram a mim e a minha irmã aos estudos. nossa voz, eles sabiam, só poderia ser ouvido com o diploma do lado. preto e pobre não tem vez sem estudo. hoje minha irmã é aluna de mestrado com o tema sobre uma luta de camponeses, e eu estou lutando por uma vaga numa universidade pública fora do país com o tema relacionado a exclusão social e travestilidade. nossos diplomas são nossas armas.

e assim, em dois anos, eu e ela, seremos as primeiras da família, em primeiro e segunda grau, a ter um titulo de mestrado. titulo esse que é um conquista familiar. pois nosso parentes mais próximos... sempre nos incentivaram também.

luto para meus filhos nunca precisarem ficar preocupados com as contas que vão chegar, nem com a próxima refeição. porém, eu sei que eles vão sentir o peso do preto e do pobre nesse país... país que eu tinha orgulho de dizer que era governado por uma política de esquerda para meus amigos mexicanos, colombianos e alemãs. hoje essa política para grande massa é ignorada e condenada...

ontem uma grande amiga mandou um áudio chorando pela democracia que estava sendo rasgada pelos deputado. sua mãe sofreu na ditadura. mulher essa que já tive o prazer de ter longos diálogos. ontem a lágrima correu em mim também.

e deve ter corrido em Dilma também, que passou três anos presa na ditadura sofrendo todo tipo de tortura. inclusive, que teve seus dentes arrancados com socos.

e em Lula, que passou fome no sertão e comia farinha e rapadura para não morrer.

são para essas pessoas, que não escolheram o lado fácil da história, que dei e DAREI meu voto. são por pessoas com convicção e que lutam pela grande massa, que eu sairei com a camisa vermelha mesmo sendo motivo risos e chacota.

eu sei o lado da história que estou e que vou contar para meus filhos. e não é o lado fácil!!

RETROCESSO, NÃO EXISTE OUTRA PALAVRA PARA EXPLICAR O DIA DE HOJE


Quem está acostumado a ser senhor, não sabe a dor de ser senzala. Quem nunca comeu farinha seca e tomou água pra acabar a dor, come filé, arrota lagosta, olha pro lado e ainda chora dizendo como tá caro o camarão!!! Esses não sabem onde fica o verdadeiro país, tem endereço fixo aqui mas a cabeça está em Paris, Londres, ah sim na tão famosa Suíça. Mas não esqueçam que tudo tem retorno, nem que seja através daquele mendigo que te incomoda pedindo esmola e que tanto enfeiam né sua calçada, esses só são parte dos milhares que você escolheu esquecer por sua mãe, seu filho, seu neto, ou seja pelo circo todo menos pros "palhaços" nós o povo brasileiro!!!!! por Khaled Almahnoud.

sábado, 16 de abril de 2016

mais um dia difícil

fui dormir com ajuda dos sublinguais... acordei tomando antidepressivo. que sábado aterrorizante.

- e ai, tudo certo para hoje à noite?

não respondi. ha mais dois dias estava pensando em qual desculpa arrumar para não sair sábado à noite. eu só queria ficar na cama, mas dessa vez não fez parte meu estilo de vida... foi a falta de animo batendo forte desde que fui convidada. ela é aquela amiga que os encontros são sempre agradáveis, mas eu já tinha entrado na vibe...

passou quase todo o dia ate eu responder que estava chovendo bastante na cidade... ela prontamente estava disponível a me buscar em casa e dizer ~que o fogo é maior que a chuva~ e que estava morrendo de saudade. que desculpa eu poderia inventar?

- diz que ficou meio deprimida, ela vai entender, disse o boy
- não
- todo mundo fica meio deprimido.
- não
- você tem vergonha?
- claro

e agora estou aqui juntando todas as forças para encarar um sábado à noite entre amigos depois de passar o dia olhando para o teto do quarto.

terça-feira, 12 de abril de 2016

estou convencida

vou ser honesta, não tenho muito saco.

você vai pegar meu celular e pelo menos meia dúzia de gente vai ter enviado mensagem e estão esperando resposta. no inbox do facebook também acontece
e nem preciso dizer que no email também (só respondo rapidamente quando é questão de trabalho, obviamente. e se for final de semana... eu preciso considerar que é algo urgente!)

pra ser honesta,
não tenho saco pra muita coisa

vou perdendo bons amigos por conta da minha falta de vontade e por mais que eu tente, não consigo mudar. e nem faço muito esforço também. sair de casa para encontrar alguém, é porque a vontade bateu forte. caso contrário, vou ficar enrolando até a pessoa desistir

lembro de um sábado à noite, quando estava morando no México com um amigo-namorado-marido-inimigo-amante, era aniversário de uma vizinha e ele perguntou se a gente ia comemorar junto com ela num bar

obviamente falei que não, estava na cozinha escrevendo... ele do quarto gritou que eu era pior que ele nessa questão

levei como elogio.

acho que nossa relação funcionou por tanto tempo por conta disso

bem, gosto de tomar cerveja com os amigos em casa, mas mais de três pessoas já acho multidão. sou dessas que nas festas fica atraída por uma pessoa e fica conversando toda noite. não sou simpática, é um fato!

lembro de uma festa que fui há quase um ano, bati o olho numa alemã e a gente ficou durante horas conversando sobre o mundo "alternativa", enquanto a festa rolava

o boy que foi comigo quase me mata no final. ela era sua professora e ele estava tentando "ficar próxima dela" e eu não deixei

pra ser bem franca sou dessas que prefere tomar vinho em casa e uma vez por ano encontrar com os amigos num bar. e o grupo de amigos precisa ser bem seletivo

bom, gosto de encontros mais tranquilos. nada melhor que encontrar com as amigas num café e aproveitar de uma boa tarde tranquila.

sim, sou uma pessoa chata para se relacionar. estou convencida.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

amor tempestade

Maria Adelaide Amaral disse sobre o relacionamento de Frida Kahlo e Diego Rivera: “tempestade”. Não sei vocês, mas eu de certo modo invejo o humor tempestivo desse amor. Ambos tinham personalidade forte, bem sabido, embora em diferentes sentidos. Não vejo nada melhor que um amor tempestade. Amor morno não aquece, não esfria, não sacode. O que não é tempestade é chuvinha, não faz sentir. Enquanto chuvisca lá fora, tudo que se quer é cobertor e sono. É calmo demais, é sozinho demais, é curtir uma descoberta própria, exclusiva e interna.

O amor morno é um tanto egoísta, se leva de mão dadas, supre aquela felicidade à qual se chega, não exatamente a que se almeja. Amor morno todo mundo acha lindo, todo mundo quer paz depois da desilusão. É amor amigo. Ele é um amor seguro, monótono, tedioso, mas como todo amor, é válido.

Já o Amor tempestade é aquele em que se deseja ficar em casa, com cobertor, pipoca doce, filme e alguém do lado. Aquele, justamente aquele. É amor que briga, fecha a porta dizendo adeus, vai para o bar, toma um porre e volta arrependido. Não é amor fácil, é amor de quem tem peito e personalidade, mas também não é amor fraco, é difícil de tirar de dentro. Do amor tempestade não se tem controle de nenhuma parte, mas ele sempre volta. A gente acha que ele atormenta, mas você sempre gosta de como ele sacode: o coração, a vida, os passos dados juntos, mesmo que sejam passos inseguros e esporádicos. Amor tempestade solta raio, trovão, faz seu coração galopar só de chegar perto.

Ele não te puxa pela mão, e sim pelo abraço. Ele não poupa gritos, em nenhum sentido, ele é vivido em dois e por dois. Ele é expansivo, e libertário: vai, mas volta. Erra, mas ama. Você nunca sabe o que vem a seguir, e é o que passa a dar certo sentido àquela felicidade que não se sabe bem como chegou, mas está ali, está aí. Amor que todo mundo acha inconveniente, mas não tem conveniência maior.

É amor primeiro amigo, mas depois amante. Amor tempestade não importa se tem vinho, fanta uva, água com gás ou o que for na geladeira. Ele te faz, te completa, e no fim do dia pode-se morrer em paz. Eu invejo Frida e Rivera porque, apesar de amar um chuvisco, nada me realiza mais do que me molhar na tempestade. Mas é inveja boa, tá?

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sábado, 9 de abril de 2016

IJEXÁ - CLARA NUNES



Filhos de Gandhi, badauê
Ylê ayiê, malê debalê, otum obá
Tem um mistério
Que bate no coração
Força de uma canção
Que tem o dom de encantar

quinta-feira, 7 de abril de 2016

vá...

nunca quis muito de um relacionamento. o sonho era aquela tradicional mesmo. caminhar juntos, ir ao cinema, tomar uma cerveja num barzinho perto de casa, fazer planos para o final de semana. mas o tempo foi passando e fui entrando em relacionamentos tão complexos que as simples atividades eram barreiras.

teve o relacionamento que o boy passou dois anos fora do país estudando, e foi uma guerra de braço com a saudade. mas antes dele, nenhum outro tinha durado mais de três meses... e se for fazer as contas, todos entram na lista de "apenas algumas semanas de paz" (não semanas seguidas, logicamente).

o último relacionamento acabou um caos. em seguida entrei num envolvimento com uma pessoa de outro país... já sabendo que não iria para lugar nenhum, pela distancia... pela falta de afeto.

a vida segue e eu só busco me sentir bem, tentando afogar as palavras ruins que foram ditas nos momentos de aflição.

no fundo, a gente só deseja ser amado para ter em quem confiar, e quem poder oferecer um abraço.

sábado, 2 de abril de 2016

falta criatividade, sobra fatos

são 4:00 da manhã. às 2:30 tinha tomado o primeiro sublingual. sinto o silencio no ar. 

olho pela janela e nada acontece. essa é aquela hora que penso em tomar mais um, o psiquiatra disse que é um sintoma o meu "só consigo dormir acompanhada, quando estou sozinha o sono simplesmente desaparece". ele me explicou todo efeito do remédio, e a necessidade de ser sublingual para minha insonia "pontual"... e disse que faz efeito em 30 mins... mais uma vez não fez.

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amanhã é aniversário de uma amiga. ela irá comemorar numa festa "open bar"...

- não posso, estou tomando remédio, desculpa, eu disse
- eu também estou, vou ficar dois dias sem tomar e depois volto, ela disse

não, não será uma boa ideia interromper os remédios agora...

Saudade - Julieta Venegas & Otto







"Saudade quero ver pra crer
Saudade de te procurar
Na vida tudo pode acontecer
Partir e nunca mais voltar"

sexta-feira, 1 de abril de 2016

queridos,


vou ser breve: eu preciso de qualificação e dinheiro. dizem que o mundo anda em crise, eu não sei, pois vivo em crise desde nasci. e eu quero entrar no programa de vocês para mudar o rumo da minha historia.

me aceitem nessa bodega que eu prometo não frequentar bêbada as aulas.

beijinhos,
Sara com Café.

"não sei como vocês gostam de viver, eu faço por obrigação"

Gostaria de ter tentado o mestrado com enfoque em gênero na Argentina. Mas coloquei foco em outro...

Existe auto sabotagem aí.
Como tudo na minha vida, eu escolho um caminho e depois penso que o outro pode ser melhor e fico me culpando pelo caminho que escolhi... mesmo que esse caminho esteja dando frutos.

Se eu tivesse tentado na Argentina, ía acontecer o mesmo. Eu iria me sentir culpada e triste por não ter tentado o outro.

E isso é um ciclo sem fim... É como se eu nunca ficasse satisfeita com nada.

Todas as partes da minha vida podem caminhar tranquilamente, mas eu sempre vou sentir falta de alguma coisa. Nada completará o sentimento de felicidade e eu entro nessa tristeza sem fim como se eu fosse um grande monstro horrível...