terça-feira, 26 de abril de 2016

gênero

Depois de uma conversa muito amorzinho com uma amiga, ela solta "você já questionou seu gênero?".

Obviamente muita gente nesse mundo já questionou, mas eu não sou uma delas. Adoro meu corpo de mulher (peitos, te amo) e tenho uma relação linda com minha parte íntima (buceta, te amo).

porém...

prefiro meu cabelo curto, raramente uso maquiagem, não sou extremamente sensível, sou loucaaaa para ser mãe, compro roupas na seção masculina para crianças - camisas principalmente - e já tive envolvimentos com homens e mulheres. sou uma mulher diferente da clássica e simplesmente amo! e toda vez que descubro mais alguma coisa em mim, vou me sentindo mais realizada.

eu acho, honestamente, que a gente deveria deixar de ter tanta frescura como nossos coleguinhas se expressam. gente, qual o problema de sair das caixinhas macho-fêmea e encontrar o meio termo disso tudo? o mundo é tão diverso... e a gente categorizando o baby de homem ou mulher assim que olha seu pênis ou sua vagina, respectivamente.

gênero*, na minha opinião (e de muitos teóricos!) simplesmente foi introduzido, constituído e mantido para expor a hierarquia. homem no topo, claro. realmente acho que tem gente que não tem a mesma necessidade que eu tenho de mesclar algumas coisas, outras pessoas tem muito mais necessidades, outras simplesmente gostam da caixa... e a gente pode viver em sociedade assim.

mais um ponto aqui, que sempre me deixa incomoda. homem também sofre com essa caixa. o boy precisa manter a masculinidade, pois ele é o topo da hierarquia. e se faz alguma coisa diferente do homem viril já é apontado como "viado" (no sentido bem pesado da palavra). digo isso pois sempre namorei homens sensíveis e não houve uma relação que deixaram de questionar a sexualidade deles por isso.

será que a gente ainda não percebeu que cada pessoa se expressa e convive na sociedade de uma forma diferente? vamos respeitar o coleguinha, só isso.

(cada dia estou me aproximando mais do não-binarismo. aaaaaa gênero é realmente um tabu!)

*gênero ainda é um termo que vai se construindo. em algum momento foi até colocado como sinônimo de mulher. imagina só! felizmente as pesquisas vem avançando - com a ajuda do feminismo e das ciências sociais (me identifico mais com essas bases de estudo).

8 comentários:

  1. Temos duas questões aqui.....e ambas complexas.
    Um- o direito de expressão e tolerância a diversidade.
    Essa é uma questão mais do que tranquila para quem acredita em si mesmo e está cercado por pessoas que igualmente acreditam nela.
    Dois- a necessidade de ser diverso não como uma expressão espontânea do ser, mas de uma necessidade de agredir, destoar e de impor o ser diverso como forma de vingança contra uma sociedade que nunca me aceitou.
    A primeira questão é bela, porém idealista ( pelo menos para a grande parte da humanidade ).
    A segunda deixa de ser uma expressão legítima e espontânea para ser uma expressão da raiva.
    Cada caso é um caso, mas nem sempre toda liberdade de expressão é legítima em sua espontaneidade.
    bjs
    A segunda

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  2. Adoooro esse tipo de pergunta, com você deve ter acontecido anos... você já beijou mulher? Vey eu já beijei até cabrito. Eu tenho um relacionamento heterossexual a sete anos, como os anteiores, tive minhas experiências mas não me considero nada. A sociedade diz que sou heterossexual afinal mulher com homem, então sou, agora tem tantos gêneros que tenho até medo das novidades. Minha frase predileta: deixem as pessoas fazer o que quiserem com seus buracos! Kiss Kiss

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  3. Sara com café.... li teu texto e gostei de tua confirmação:
    "Obviamente muita gente nesse mundo já questionou, mas eu não sou uma delas. Adoro meu corpo de mulher (peitos, te amo) e tenho uma relação linda com minha parte íntima (buceta, te amo)."
    Eu também menina.. adoro peitinho e buceta...adoroooooo!!!
    Se eu fosse mulher, ia arrumar um jeito de aprender contorcionismo e me chupar o dia todo!!!

    E pergunto.... para que questionar essa coisa de gênero??? Que falta do que fazer!!!!
    Beijinhos do PDR!!!

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  4. Adorei!
    Aprender a respeitar sempre!

    Bjus
    Taty
    http://ansiosapracasar.blogspot.com.br/

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  5. belissimo texto e reflexão... sua amiga é uma boa perguntadora.. te fez pensar...
    eu acho que não podemos esquecer que existem generos, negar isso é negar a propria biologia... existem proctologistas, mastectologistas, ginecologistas... não é tudo a mesma coisa né...mas o que podemos, devemos, precisamos, brigar é para excluir o binarismo das ideias! dos estilos "de menina" e "de menino"... dos salários de homem e de mulher, das profissões masculinas e feminas, de coisas que "Não pegam bem" para mulher fazer, "que menino não chora" e ai por diante! vamos revolucionar!

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  6. Era bom que toda a gente pensasse assim. Ainda bem que estás feliz com aquilo que és. Se não nos sentirmos bem, só pode correr mal. Eu também não uso maquilhagem e no entanto gosto de ser mulher. Sou simples.

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  7. gênero é uma coisa que me deixa bem confusa, hahaha. aceito tudo porque entre julgar por ignorância e só ser ignorante prefiro só ser ignorante, mas não consigo acreditar 100% que gênero é uma imposição social porque ainda acho mulheres e homens muito diferentes (no sentido biológico mesmo) e acho que essa diferenciação tem que ser feita. o que não quer dizer que não se pode transitar entre gêneros e tal, mas não acho que isso deva ser ~abolido~ como muita gente acha. tenho a mente bem aberta, mas tenho que ler muuuuuito sobre isso ainda.

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  8. Olá,Sara, a identidade de gênero -como alguém se sente e se apresenta para si e para as demais pessoas como masculino ou feminino, ou mescla - é normalmente confundida com a orientação sexual-orientação do desejo: homo, hetero ou bi.
    Nunca questionei meu gênero-identidade e orientação-mas, não por me considerar o topo da hierarquia, o importante é respeitar as opções de cada um...e não sou hipócrita , a sociedade promove sim ,dissimulada ou não-a discriminação e a exclusão , privando o direito de cidadão e pior, colocando-o em uma situação de inferioridade...claro que tudo seria belo,mas, ainda faltam milhas para a unidade na pluralidade, infelizmente!

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