domingo, 29 de maio de 2016

Eu não existo para consertar você


Infelizmente ele não se esforçou, de fato, para dar início a uma jornada de crescimento benéfico. Ele não partilhava do meu desejo de auto-aperfeiçoamento contínuo, e seu orgulho muitas vezes o impediu de reconhecer certas questões dentro de si mesmo.

(...)

Apesar de ter sido tão incrivelmente drenante para mim explicar constantemente e elaborar e envolver-me em conversas sérias, tudo muito frustrante, assumi que isso significava que ele me considerava uma pessoa sábia, observadora, alguém que ele levava a sério e escutava, porque ele estava se apaixonando loucamente pelo meu cérebro.

Mas na realidade, ele só me via como sua ferramenta de desenvolvimento. A espectadora humana que ele usou, feriu, esmagou e exauriu em seu caminho para a melhoria gloriosa, ou pelo menos em seu caminho para a talvez possível melhoria gloriosa. É claro que ele adorava ouvir meus pensamentos importantes sobre sua existência, porque se eu o analisasse criticamente e dissesse-lhe exatamente o que ele precisava fazer para corrigir a si mesmo, então ele não teria que levantar um dedo. Me ter ao redor facilitou as coisas. Eu era sua vida, respiração, falar, andar, barômetro moral que o explicou o certo do errado e soou o alarme quando ele estava sendo vil e deu-lhe conselhos detalhados sobre como prevenir a sua bostice.

 Quando ele se comportava mal, eu estava lá para lhe dar um tapa na mão e dizer: “Moleque impertinente!” e apontar seus erros. Ele me queria por perto, simplesmente porque queria trabalho emocional gratuito que não devolvia, mas estava feliz em receber.

(...)

Estou muito ocupada trabalhando em mim mesma para também levar 100% da carga do progresso do meu parceiro. Eu não tenho a energia para corrigir simultaneamente vários seres humanos, especialmente se as minhas emoções estão sendo feridas no processo. E eu definitivamente não tenho tempo para fazer isso sem cobrar por hora.

Texto divulgado e completo em Casa da Mãe Joana.

4 comentários:

  1. A música do Guilherme Arantes diz:
    "Prá que juntar.... os pedacinhos de um amor que se acabou.... nada vai colar!!"

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  2. Essa é uma lição delicada e por vezes dolorosas, mas temos que aprendê-la sob o risco de nos machucarmos muito caso tentemos "trapacear"...

    Só se pode ajudar quem quer ser ajudado e principalmente, precisamos estar bem para poder ajudar...

    Grande abraço Moça!

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  3. Quando é assim , e não há química, há que partir para outra.
    Boa semana

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