quinta-feira, 30 de junho de 2016

O silêncio é a melhor forma de dizer: "eu desisti de ti!"

(...)


       Sou incapaz de ser novamente aquele alguém que tu conheceste e por quem te apaixonaste. Muita coisa mudou para mim, para nós. Eu já não estou mais tolerante, muito menos paciente. A idade vai passando e, tudo que eu quero, é uma pessoa que me assuma. Que bata no peito, que enfrente o que for preciso, que me apoie e que permaneça sempre comigo. Eu não sei lidar com imparcialidade. Eu não sou assim. Tu estás a falar com alguém que apanhou muito, com feridas incuráveis. Talvez, hoje, tu não entendas o que é entregar-se de corpo e alma, mas eu tentei mostrar de todas as formas. Desenhei, fiz mimica, escrevi e quase cantei para chamar tua atenção e te fazer perceber que eu já estava distante demais dos teus sonhos egoístas. Se tu não consegues interpretar o significado da palavra reciprocidade, não faz sentido o meu desgaste em tentar te mostrar. Amanhã eu tenho a certeza que tu vais aprender. Mas será tarde demais, eu já estarei longe do teu alcance. 

       Eu não te encontro mais na minha prospecção de felicidade. Não idealizo, não fantasio e não insisto. Talvez tu culpes a vida, ou a mim, por não ter dado certo. Mas eu continuo a afirmar que, quem não cuida, não merece ter. Se eu realmente fosse tua, como tu dizias, tu farias qualquer coisa por mim. Mas não, manter-se na comodidade e na mesmice dos teus atos sempre foi e sempre será mais conveniente para ti. A única diferença, é que eu não estou mais disposta a aceitar que tudo seja do teu jeito. As tuas palavras já não tem mais valor, promessas são apenas promessas.


       O meu silêncio para ti, traduz tudo que eu insistia em reafirmar e que agora já não faz mais sentido. A partir de agora guardarei minha saliva para o que realmente for necessário ser dito. Eu tenho aceitado, aos poucos, ficar sem ti. Mas tu, como sempre, entretido a valorizar terceiros, estás a deixar passar tudo despercebido. Quando caíres em ti e olhares para a frente, eu já estarei bem atrás.


       Como alguém que fez de tudo para ser notado e que agora tornou-se teu passado.
(....)


Texto de Jéssica Pellegrini, em "silêncio é a melhor forma de dizer: 'eu desisti de ti!'"

segunda-feira, 27 de junho de 2016

tua visita me faz florescer




- Você anda tomando todos esses remédios?

- Eu preciso, ainda não consigo lidar
- Quando isso vai acabar, Sara?

(Silêncio)

- Eu só quero você bem, minha filha
- Eu também
- Queres voltar para casa? Posso falar com tua irmã, a gente pode cuidar de você
- Não, só iria trazer mais problema. Eu vou encontrar um caminho, é questão de tempo.

domingo, 26 de junho de 2016

Uber: o outro lado


Conversando sobre Uber durante os últimos dias, tirei algumas conclusões. Para formar minha percepção sobre esse meio de transporte, busquei mais informações da empresa e encontrei essa mensagem na sua página da rede social Facebook.

Filipe Teixeira Poxa, minha esposa pegou um serviço de transporte desse, esqueceu um objeto no carro,.. e acabamos de descobrir, que não tem a possibilidade de reaver o objeto pois a empresa, não consegue realizar uma simples ligação para o motorista supostamente registrado... essa mensagem estará sendo colada em todas as redes sociais, Uber nunca mais!!!! Só amarelinho!!! O barato sai caro!!!!

Fiquei mais assustada do que estava. COMO A UBER NÃO CONSEGUE ENTRAR EM CONTATO COM O MOTORISTA QUE SUPOSTAMENTE DEVERIA TER UM CADASTRO DETALHADO NA EMPRESA?

Nunca usei a Uber por um simples motivo: medo. Eu não consigo me imaginar, ainda, entrando num carro sozinha que não tem nenhuma identificação, e supostamente uma empresa, de aplicativo, me disse que posso confiar. Eu vivo no Brasil onde violência corre solta, queridos.

Longe de mim ficar defendendo taxista comum (já passei por cada uma...), mas pelo menos eles são legalizados, tem um sindicato, passam por vistorias do Estado, pagam altas taxas para manter o táxi e por conta disso o preço é mais caro. Tudo é cobrado! Então eu consigo compreender, até o momento, que eu estou pagando por uma segurança minima, onde eu não consigo encontrar num carro particular que qualquer cidadão pode começar ser motorista e que na visão do Estado vive na clandestinidade.

A Uber é a ideia de serviço de carros particulares de uma empresa Norte Americana que foi tomando conta do mundo todo. Estamos falando de uma empresa dos Estados Unidos da America, aquela mesma da Maçã Cinza. E seu capitalismo na veia. Ok, ok... parei.

Estamos falando de uma empresa que vista o lucro (Uber) e um espaço que foi historicamente sendo construído (o táxi comum). Pra mim, honestamente, facilmente essa empresa irá deixar passar várias falhas desse suposto motorista para ganhar mais dinheiro. E o táxi comum é o Estado que "toma conta". E o Estado, para quem não lembra, presta serviço para o cidadão e sua segurança.

Não tenho carro e pego, normalmente, táxi comum por um simples motivo: chegar num local em segurança, e sabemos que esse "luxo" da segurança é uma fortuna! (sdds México). Sou uma mulher cisgenera vivendo numa das cidades mais violentas do meu país - e eu ainda saiu na rua, todos os dias, com medo de ser mais uma vitima do feminicio, então eu busco todos os meios que me deixe mais segura. E infelizmente eu preciso pagar mais caro por isso.

Até o prezado momento ninguém conseguiu me convencer que pagar 30% mais barato na corrida (ou 50% sei lá!), com esse contexto que detalhei, valesse mais a pena que colocar meu corpo em risco.

Meu querido,

Um ano que já não estás com a gente. Lembro de você mais vezes do que gostaria, é inevitável. Possivelmente você ficaria louco com os últimos acontecimentos na minha vida, bem, com a parte acadêmica não, mas com o resto com certeza. 

Te confesso: gostaria de ouvir teus conselhos, gostaria de ser cuidada por você. Gostaria de ficar junto. Gostaria de te ouvir dizendo que eu sou jovem demais para sofrer por gente que não vale nada. "Beijar na boca e namorar é maravilhoso. Aproveite bastante, depois você pensa em compromisso" não era assim que você me dizia?

Meu querido,
O Carnaval, lá por fevereiro, foi difícil de viver, as ladeiras de Olinda só chamavam você e meu peito te pedia proteção. Te lembrei todo o tempo...

Meu querido,
Outro dia fui na igreja que celebramos a missa de sétimo dia, desculpa, não conseguia conter as lágrimas... chorei como louca pensando em você e desejando que Deus te tenha acolhido com toda ternura do mundo.

Um ano passou e muita coisa rolou.
Saudade. "Te echo de menos".

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Quem quer, arruma um jeito. Quem não quer, arruma uma desculpa.

Quem quer não adia, aparece. Quem quer te ver agora, não vai deixar pra amanhã, mesmo que a distância seja incalculável ou já seja tarde pra isso. Quem quer, não deixa pra depois o que pode ser feito agora. Quem quer ficar, fica sem que a gente precise implorar. Quem quer cuidar, simplesmente cuida. Quem quer, provavelmente não vai suportar a saudade, não vai poupar sentimento e entrega pra te ter.  

Quem quer, arruma um jeito. Quem sente vontade, faz saudade virar encontro, faz cinema virar motel, faz o cansaço virar amasso, faz dias frios mais quentes. Quem quer, é capaz de viajar 100 quilômetros só pra te ver, e não interessa se o tempo fechou tão rápido, quem quer não vai pensar duas vezes em te ver hoje ou deixar pra próxima semana. Quem quer, não vive de conversas, não perde tempo, não arruma mil e uma desculpas pra justificar que não vai dar pra te ver hoje porque o dia foi cansativo demais.

Quem tem saudade do teu sorriso não se contenta só em ouvir a tua voz pelo celular, quem quer estar com você sentirá necessidade de te ver pra conversar sobre como foi o seu dia, sobre todas as coisas que te fez perder a cabeça e vai entender que é melhor te abraçar nos momentos mais difíceis do que te mandar um ''fica bem'' por mensagem. Quem quer te fazer bem, vai bater na tua porta com chocolates que comprou no meio do caminho pra tua casa e cervejas - é que o dinheiro era pouco e o vinho era caro. Quem quer realmente te ver, não esperará por um feriado ou por dias melhores que não tenham provas, nem muito trabalho pra fazer.


Quem quer te ver, não vai se lamentar, vai vestir a roupa mais próxima e sair com sorriso mais sincero ao teu encontro. Quem quer, não vai reservar um tempinho pra você ou um horário fixo pra te ver, vai te reservar a vida e vai te ensinar que quando a gente ama, a gente não mede esforços, a gente não quer o outro pra preencher aquele espaço que sobra na cama ou aquele tempo vago nos finais de semana. Quando a gente quer,  a gente aceita o outro pra somar na vida, pra abrigar e torna-se abrigo, pra unir dois mundos.

Quem quer ficar, vai fechar os olhos em teu peito e permitir, sem medo, acordar só noutro dia. Quem quer, vai fazer corpo mole pra não levantar da cama e não sair da tua vida, vai roubar tuas manhãs, vai jogar os braços por cima de você e quando você perguntar se a posição da tua cabeça tá doendo nele, ele vai te responder que não. Quem quer ficar na tua vida, não pensará duas vezes antes de entrar. Ficará pro café da manhã e se possível pro jantar, é que o gosto do teu beijo vicia e ele seria burro em não prová-los ao máximo.

Quem quer ficar, vai encostar a cabeça em teu ombro e vai te deixar descobrir todos os medos e segredos, erros e defeitos, vai apertar a tua mão pra tentar te dizer algo em silêncio, e vai se despedir de você sem te tirar nada, te permitindo a liberdade e te deixando com aquela sensação de querer viver tudo e mais um pouco ao lado dela. Quem quer você, tem vontade de te repetir, de tomar todos os gostos com teu sabor, de provar todas as aventuras com você sem te dizer que precisa pensar, sem te dizer: ''hoje não dá'', ''deixa pra amanhã'', ''não tô a fim''.  Porque quem quer, arruma um jeito. Quem não quer, arruma uma desculpa.

texto de Iandê Albuquerque em Quem quer, arruma um jeito. Quem não quer, arruma uma desculpa.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Calle 13 - Latinoamérica







Não se pode comprar o vento

Não se pode comprar o sol

Não se pode comprar a chuva

Não se pode comprar o calor

Não se pode comprar as nuvens

Não se pode comprar as cores

Não se pode comprar minha'legria

Não se pode comprar minhas dores

domingo, 19 de junho de 2016

meu pai, meu herói

meu pai sempre foi o cara que eu confiei, aquela pessoa que eu podia ligar quando as coisas não estivessem bem. mesmo com sua construção machista, ele sempre me apoiou em tudo que tivesse relacionado com minha liberdade.

não deve ter sido nada fácil pra ele ter duas filhas... ele precisou desconstruir muita coisa. e o dialogo sempre foi nosso forte. e eu agradeço infinitamente por isso.

eu nunca achei que confessaria ao meu pai a relação de codependência-abuso que eu estava passando de forma tão clara e verdadeira, com todos os detalhes. nunca achei que ele iria me dizer "os homens olham para as mulheres como prioridade. isso não existe. você tem sua liberdade! segunda feira vá no cartório, eu pago todo processo, e se livre de tudo que esteja ligado com ele. você não merece viver assim!"

eu nunca achei que faria vários cortes no braço por raiva depois de uma briga com o cara que estou casada. eu nunca achei que ligaria para meu pai, dizendo que estava no hospital, e só poderia ser liberada com acompanhante depois desse fato.

eu nunca achei que chegaria em casa, depois do hospital, contaria tudo que aconteceu... e meus familiares simplesmente iriam me abraçar da forma mais honesta e doce do mundo.

eu nunca achei que chegaria aos 24 anos sendo tudo aquilo que eu tentei esconder. eu nunca achei que chegaria aos 24 anos... com medo do próximo amanhecer.

Trecho de Quando estamos desesperados, sermos julgados é a pior coisa que nos pode acontecer.

Não podemos esperar por palavras de bom senso quando alguém acabou de receber uma péssima notícia ou está mergulhado em uma depressão profunda. Não podemos esperar que alguém que se sente quebrado por dentro veja a vida com olhos normais e consiga se divertir naturalmente ou trabalhar produtivamente.

É cruel exigir de um deprimido ou de alguém que passa por um luto severo uma grande clareza de raciocínio, uma profunda capacidade de entender a situação que lhe ocorre de forma objetiva. É cruel exigir de um deprimido ou de alguém que passa por um luto severo que ele cumpra com as suas obrigações corretamente e que seja capaz ainda de fazer gentilezas e atender a protocolos sociais, como manter conversas frívolas e fazer passeios que não lhe interessam.


© obvious: Quando estamos desesperados, sermos julgados é a pior coisa que nos pode acontecer.
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sábado, 18 de junho de 2016

família




Obrigado queridos por estarem presente nesse momento. O dia foi difícil e as decisões são fortíssimas, mas quando encontrei vocês (desabafei e os abracei) eu soube que Deus me deu mais uma oportunidade na vida.

Família, obrigado por tudo.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Mulata exportação - Elisa Lucinda









"Olha aqui meu senhor:
Eu me lembro da senzala
e tu te lembras da Casa-Grande
e vamos juntos escrever sinceramente outra história
Digo, repito e não minto:
Vamos passar essa verdade a limpo
porque não é dançando samba
que eu te redimo ou te acredito:
Vê se te afasta, não invista, não insista!
Meu nojo!
Meu engodo cultural!
Minha lavagem de lata!

Porque deixar de ser racista, meu amor,não é comer uma mulata!"

quinta-feira, 16 de junho de 2016

localizador

eu admito: é amor

é amor,
medo,
insegurança,
falta de afeto.

eu admito

precisamos correr
desse labirinto

eu admito
que meu corpo continua sangrando
enquanto devo planejar o próximo passo

eu admito
que mesmo te entregando
minha alma, tempos antes,
EU QUERO ELA DE VOLTA.

EU VOU PRECISAR DELA.
E USAREI AGORA COM CAUTELA.

devolve.

uma mulher incrível

Existem alguns tipos de mulheres que você vai encontrar na vida. Tem aquelas que te fazem enlouquecer por uma noite, tem aquelas que vão chegar e vão fazer esquecer todas as outras, tem também aquelas que você acredita que quer passar a vida toda ao lado delas. E, ainda, aquelas que você realmente vai ter certeza que vai passar a vida toda lado a lado. E tem as mulheres incríveis.

As mulheres incríveis não são como as que você sempre sonhou. Elas são bem mais. (...)

O riso solto, aquela boca toda aberta, gostosa. O apetite quase-macho para cerveja e cachaça. A dançadinha sexy ao som do rock naquele pub, alta noite, cabelos de lado. E ela ainda sabe tudo de futebol, rock and roll. Os momentos em que ela deixava de ser a mulher-fatal-incrível para ser só uma menina que quer um ombro -ali, o meu. E você realmente acredita que o mundo é bacana. (...)

Lembrou alguma coisa, caro leitor? Você já passou por uma mulher assim? Ela está aí, enquanto lê esse arrazoado de qualidade duvidosa, circulando só de calcinha e camisa da Patti Smith? Aproveite, guarde esse momento. Cedo ou tarde ela vai embora e vai ser culpa sua.

Mas como ela é incrível, você vai viver sem mágoas, ser sua amiga, vai te chamar para tomar uma cerveja, bater papo, você vai nutrir a esperança de um novo encontro pelos anos seguintes. Até ela te dar um fora, como a minha fez, altamente educado e sutil, dizendo coisas como "tive que ir embora, mas te considero muito". "Te considero muito", da sua boca, é bem pior que o "gosto de você como amigo" daquela paixão adolescente. (...)

Quando se perde uma mulher incrível, não é só uma derrota, é uma vida. (...) Depois dela, seu coração estará calibrado para tudo. Ou quase. Se ela reaparece, você casa.

Trecho do livro "Uma Mulher Incrível" de Alexandre Patillo (2016)

terça-feira, 14 de junho de 2016

“Qualquer coisa eu te ligo”.


(...)

Mais cedo, às cinco da tarde, eu havia ligado. Estava animada pra contar sobre o meu novo trabalho, mais do que satisfeita comigo mesma, eu estava eufórica. Eu queria compartilhar as boas novas. Eu queria compartilhar tudo com ele.

“Eu não sei... Qualquer coisa eu te ligo mais tarde” – foi a resposta ao meu telefonema animado. E eu não gostei do “qualquer coisa” (...) Mas quando uma mulher quer acreditar que existe amor onde não existe, passamos por cima de “qualquer coisa”. Respondi que tudo bem e fui para casa com aquele vazio geladinho no peito, que nada mais é do que seu corpo lhe mandando spoilers sobre uma dor não tão delicada que está por vir. “Furada, corra”, mas não. Não corri. E fiquei esperando um telefonema, sendo mais sadomasoquista do que a fã mais fervorosa do Mister Grey. Eu esperei. E esperei. E esperei.

O meu celular tocou. Não era ele. “Ah não”. Era alguém do meu novo trabalho me convidando pra conhecer um novo bar, provavelmente tentando me enturmar. (...) Eu estava um caco. A realidade do “ele não está tão afim de você” estava me dando um tapa. Cruel. Mas eu não queria pensar sobre isso, queria postergar a dor. “Tudo bem, eu vou”.

(...)

O meu celular tocou naquela noite sim. Era ele. De madrugada pedindo pra eu ir lá dormir na sua casa. Provavelmente não tinha conseguido nenhuma outra garota mais interessante. Eu desliguei sem nem responder e não atendi mais. Não atendi no dia seguinte e não atendi ele nunca mais.

Eu não havia desencanado, eu não estava fazendo joguinho, eu não havia me apaixonado instantaneamente por outra pessoa, eu havia desistido. Desistir é muito mais forte. (...)

Após quase cinco anos, por algum motivo me lembrei daquela noite no último fim de semana. Lembrei que liguei mais muitas vezes quando não deveria ter ligado, respondi mensagens pra alguns paqueras quando não deveria ter respondido e esperei ligações daquele jeitinho suicida mais algumas vezes também. Mas eu nunca fui e nunca quero ser a pessoa que diz:

“Qualquer coisa eu te ligo”.

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sábado, 11 de junho de 2016

- Não estás feliz?



- Não estou feliz. To com medo. Muito medo de até onde vai tudo isso. Minha vontade é tomar um monte de remédio e dormir, perder o voo, perder tudo... (...) É como se eu não quisesse participar da minha vida. Entende? Acho que toda minha vida seria perfeita para qualquer outro ser humano, mas não pra mim. Eu não quero participar. Eu não quero participar da minha vida.


- Vai passar... Ei, mas amanhã vamos passear né? Seguiremos o plano, né?


- Você não entendeu o que falei? 




Agora trecho do texto: "Eu costumava achar que era louca" (um relato de um relacionamento abusivo)

Estabeleci um limite. Uma fronteira que não atravessaria. No minuto que ele me batesse, eu iria embora. Mas na verdade eu sabia que nem assim iria embora. Teria racionalizado: ao me bater, ele perceberia como as coisas estavam fora do controle. Tudo mudaria.

(...)
Quando tudo terminou, não tive direito a luto. Ninguém era capaz de entender como amor, ódio, medo e conforto podiam coexistir. Não entendiam que, além de abusar de mim, ele era meu confidente, a pessoa para quem eu cozinhava, a pessoa que passava o domingo chuvoso assistindo TV comigo, a pessoa que ria comigo, a pessoa que me conhecia.

Perdi meu companheiro. Como explicar que o abuso era só uma parte dele? Como explicar isso para si mesma?
Até hoje lembro de momentos carinhosos e me pergunto se as coisas eram tão ruins assim. Ainda tenho dificuldade em reconciliar como ele podia me amar e me machucar como seu eu fosse a inimiga.
Como uma criança, estou aprendendo a redefinir as fronteiras do comportamento normal e a realinhar minhas expectativas. Tenho de lembrar que atos de violência nunca podem ser atos de amor.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Ônibus



- Como vai Lucas?
- O pai dele morreu, já estava bem doente (...)
- Estabilizou 
- Não, ele morreu
- Exatamente, estabilizou.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Marquês de Sade



Ainda essa semana acabei descobrindo que meu ascendente no mapa da astrologia é escorpião. Não sei exatamente, mas não gostei. O que significa uma geminiana com ascendente em escorpião?! Mas acabei de saber algo incrível... Marquês de Sade é do mesmo signo e do mesmo ascendente que eu hahaha Marquês de Sade, o autor que simplesmente gosto de uma forma louca. Que notícia!!!

Mais informações de Sade:

Donatien Alphonse François de Sade, o Marquês de Sade, (Paris, 2 de junho de 1740 às 17:00 — Saint-Maurice, 2 de dezembro de 1814) foi um aristocrata francês e escritor libertino. Muitas das suas obras foram escritas enquanto estava em um hospício, encarcerado por causa de seus escritos e de seu comportamento. De seu nome surge o termo médico sadismo, que define a perversão sexual de ter prazer na dor física ou moral do parceiro ou parceiros. Foi perseguido tanto pela monarquia (Antigo Regime) como pelos revolucionários vitoriosos de 1789 e depois por Napoleão.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Natalia Lafourcade - Lo Que Construimos




Pareciera que es más fácil dejarnos
Pero eres un fantasma conmigo caminando

Yo no aprendí a soltar amores
Yo no aprendí a dejarte ir

Eras solo una apuesta de largo plazo
Lo que construimos… lo que construimos
Lo que construimos se acabó

-------------

para fechar... mais uma de Natalia Lafourcade. El amor acaba.

praia, entardecer: conto


Tenho areia nos pés, chá gelado ao lado e um monte de papéis em branco. Uma câmera e um lápis. No fundo eu sei que não necessito nada mais além disso. Mas o ar falta nos meus pulmões; tenho essa ideia louca que tudo pode acabar no próximo segundo e eu não avisei o suficiente o sentimento que tenho pelas pessoas que amo.

Enquanto o mar vai e vem eu me sinto sugada. Sugada pela pedido, pela decisão que precisa ser tomada, pelo planejamento dos próximos meses. Pela certidão de nascimento com uma observação de casada que se encontra embaixo da minha bolsa. Casamento esse que é a maior fachada do universo e minha vontade é rasgar esse pedaço de papel e jogar no mar. E esperar as consequências.

(Eu preciso me livrar dessa relação de codependencia... desculpa)

Todo mundo espera que eu tome uma decisão sensata, mas ninguém tem coragem de chegar junto e oferecer apoio.

Nas últimas semanas estava recebendo apoio de uma amiga, mas quando ela soube que passei no mestrado no país dela, tudo mudou. Minha indecisão, que eu tanto comentava com ela (e o nível de sofrimento que eu estava) foi ignorado para o "planejamento do nosso reencontro". Reencontro esse, que por semanas eu avise que muito possivelmente não poderia acontecer independente do resultado. Eu achei que ela estava entendendo, até um "podemos pensar naquela viagem que havíamos planejado..." ela disse enquanto eu chorava compulsivamente.

O que eu realmente gostaria era que ela abrisse os ouvidos outra vez para mim. Talvez ela tenha pensado que minha indecisão era porque o resultado ainda não tinha saído, e quando saiu tudo foi resolvido. É muito louco pensar isso e imaginar que ela só esteve ao meu lado esperando o resultado do reencontrado.

E ela é mais uma dessa pessoas que eu sinto muito medo de conversar, já que todo mundo olha para minha cara e diz "ninguém nega uma pós graduação em outro país".

Ontem avisei para minha psicóloga o resultado positivo do mestrado, ela colocou um sorriso e disse "e aí?" Controlei as lágrimas e respondi "não sei"... ela notou que eu não estava bem e começamos a sessão sem seu sorriso.

Se eu fosse pegar apenas esse fato, diria que ela deu uma "cagada", já que trazia meu medo pelo resultado positivo em todas as sessões. Mas eu estava precisando dela demais para pensar no que ela tinha feito.

Talvez eu esteja negando esse mestrado para me livrar de algo maior... uma relação de codependência extremamente adoecedora.

Relação essa que me suga... me atormenta, me paralisa, e o pior: me nega!

Passei quase duas semanas me dopando de remédio para dormir. Eu só parava de colocar remédio na boca quando já não conseguisse levantar da cama e já fosse apagar. Não foram dias fáceis, tive inúmeras alucinações e noites terríveis. E, obviamente, roubei remédios de dois familiares para intensificar os efeitos dos meus. Há quase dois meses raros são os momentos que consigo sair da cama antes das 13hrs. Meu corpo fica lá, deitado... imóvel... e minha cabeça pedindo por mais remédios.

Será que isso é viver?
Será que consigo tomar alguma decisão dentro desse quadro?

terça-feira, 7 de junho de 2016

domingo, 5 de junho de 2016


Acordo com o gosto doce na boca
Imediatamente lembro que na noite anterior precisei tomar remédio para dormir
O gosto continua invadindo
E torna extremamente desagradável

Sinto-me triste por precisar tomar 
Sinto-me triste toda vez que o tomo
Sinto-me triste por minha cabeça não funcionar direito


Há dois dias estava sem precisar tomar
Tudo andava num bom ritmo
(Depois de duas semanas intensas)
E ontem à noite precisei... o relógio estava marcando 4 horas da manhã
E eu achei que iria ficar deprimida 
Se os primeiros raios de sol aparecessem.

Força e fé!

sábado, 4 de junho de 2016

Ni una menos!!


Em diversas cidades do Brasil há marchas sobre o (absurdo do) estupro coletivo que correu no último mês no Rio de Janeiro. As mulheres estão mobilizadas "Por Todas Elas" que foram violentadas, e estarão nas ruas pelo fim da cultura do estupro e o respeito a vítima. Na minha cidade não será diferente, acontecerá hoje no centro.

Com toda garra e coragem que me ponho no peito, dessa fez quis ir além, pensei levar um cartaz com uma frase que me represente de uma forma extremamente profunda. Entre tantas escolhi:

"Sair todo dia com medo de ser estuprada não é normal!"

Fui comprar a cartolina ontem, e o senhor me ofereceu um pincel para fazer meu cartaz - não quis vendê-lo! Achei lindo da sua parte, e fiquei mais motivada!

Enquanto caminhava para casa com minha obra de arte, passei por ruas escuras, "psiu" de um cara da bicicleta e o medo apavorando minha cabeça com as escritas nas pontas dos dedos:

"Sair todo dia com medo de ser estuprada não é normal!"

quinta-feira, 2 de junho de 2016

mar



vai e vem
mistura e sai

os pequenos grãos de areia
colam em meu corpo ainda
sem acreditar na grandeza do universo

te agradeço, infinito mar, por me oferecer
tanta beleza inata

por me fazer acreditar
na natureza,
na vida,
e na resistência!


agradeço sua companhia
no dia de hoje, pois estás comigo
depois de inúmeras tempestades

mas hoje estou para agradecer!

tenho tua companhia, 
o vento que sobra no meu cabelo
e tuas ondas penetrantes

hoje estamos no atlântico,
um dia nos encontramos no pacifico
e é incrível como te busco
e me permito com você.
você precisa ficar longe,
hoje mais que ontem

você é o único que ainda pode sair ileso
desse turbilhão que é entrar em contato comigo

adorei tuas palavras no meio da madrugada
adorei o pedido de desculpas pelo horário
adorei o "super tarde"
adorei o ^^

mas você precisa ficar longe,
moço