quarta-feira, 8 de junho de 2016

praia, entardecer: conto


Tenho areia nos pés, chá gelado ao lado e um monte de papéis em branco. Uma câmera e um lápis. No fundo eu sei que não necessito nada mais além disso. Mas o ar falta nos meus pulmões; tenho essa ideia louca que tudo pode acabar no próximo segundo e eu não avisei o suficiente o sentimento que tenho pelas pessoas que amo.

Enquanto o mar vai e vem eu me sinto sugada. Sugada pela pedido, pela decisão que precisa ser tomada, pelo planejamento dos próximos meses. Pela certidão de nascimento com uma observação de casada que se encontra embaixo da minha bolsa. Casamento esse que é a maior fachada do universo e minha vontade é rasgar esse pedaço de papel e jogar no mar. E esperar as consequências.

(Eu preciso me livrar dessa relação de codependencia... desculpa)

Todo mundo espera que eu tome uma decisão sensata, mas ninguém tem coragem de chegar junto e oferecer apoio.

Nas últimas semanas estava recebendo apoio de uma amiga, mas quando ela soube que passei no mestrado no país dela, tudo mudou. Minha indecisão, que eu tanto comentava com ela (e o nível de sofrimento que eu estava) foi ignorado para o "planejamento do nosso reencontro". Reencontro esse, que por semanas eu avise que muito possivelmente não poderia acontecer independente do resultado. Eu achei que ela estava entendendo, até um "podemos pensar naquela viagem que havíamos planejado..." ela disse enquanto eu chorava compulsivamente.

O que eu realmente gostaria era que ela abrisse os ouvidos outra vez para mim. Talvez ela tenha pensado que minha indecisão era porque o resultado ainda não tinha saído, e quando saiu tudo foi resolvido. É muito louco pensar isso e imaginar que ela só esteve ao meu lado esperando o resultado do reencontrado.

E ela é mais uma dessa pessoas que eu sinto muito medo de conversar, já que todo mundo olha para minha cara e diz "ninguém nega uma pós graduação em outro país".

Ontem avisei para minha psicóloga o resultado positivo do mestrado, ela colocou um sorriso e disse "e aí?" Controlei as lágrimas e respondi "não sei"... ela notou que eu não estava bem e começamos a sessão sem seu sorriso.

Se eu fosse pegar apenas esse fato, diria que ela deu uma "cagada", já que trazia meu medo pelo resultado positivo em todas as sessões. Mas eu estava precisando dela demais para pensar no que ela tinha feito.

Talvez eu esteja negando esse mestrado para me livrar de algo maior... uma relação de codependência extremamente adoecedora.

Relação essa que me suga... me atormenta, me paralisa, e o pior: me nega!

Passei quase duas semanas me dopando de remédio para dormir. Eu só parava de colocar remédio na boca quando já não conseguisse levantar da cama e já fosse apagar. Não foram dias fáceis, tive inúmeras alucinações e noites terríveis. E, obviamente, roubei remédios de dois familiares para intensificar os efeitos dos meus. Há quase dois meses raros são os momentos que consigo sair da cama antes das 13hrs. Meu corpo fica lá, deitado... imóvel... e minha cabeça pedindo por mais remédios.

Será que isso é viver?
Será que consigo tomar alguma decisão dentro desse quadro?

8 comentários:

  1. Peça ajuda.... ajuda aos amigos principalmente!!!
    Estou aqui para te ouvir e trocar idéias!!!!

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  2. não podes estar assim, não te faz bem e não te vai ajudar em nada. eu sei que pode ser difícil mas concentra-te na tua felicidade e tem calma. estás muito confusa mas acalma-te e pensa bem. segue o teu coração, acima de todas as coisas, e vai correr tudo bem! tem calma! :)

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  3. Nem sempre o que os outros acham que é pra nós realmente nos faz feliz. Apesar de ser uma grande conquista conseguir passar num mestrado, pense bem porque só você sabe o peso que pode carregar

    beijo
    beinghellz.com

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  4. Tens de largar os remédios, isso não te faz bem...
    E tens de tomar a decisão por ti, não por essa relação que te está a fazer tão mal como dizes!
    Respira, vai acabar tudo bem*

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  5. Uma decisão que precisa de ser bastante bem pensada...
    E remédio... para dormir... nem sequer é bom... para os que precisam dormir...
    Os prós e os contras... mostrarão o caminho a seguir... e o coração também... nunca o remédio para dormir...
    Beijinhos
    Ana

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  6. Difícil falar alguma coisa baseado em um post. Mas isso não é viver e acredito que é muito difícil tomar qualquer decisão desse jeito. Mas aconselho você a voltar ao psiquiatra e conversar isso com ele, pelo que vejo remédios e suas dosagens são variáveis conforme a época, a pessoa e por ai vai. Espero que esteja melhor! :)

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  7. Procure a Igreja, fia!
    EU SOU A UNIVERSAL!!!

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