segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Recife

saudade. saudade. saudade do café na Boa Vista, da cerveja no mercado, do filme no Plaza, no Rosa e Silva, na fundação. saudade das esquinas, da Aurora, da rua da Moeda, da chuva. da estação Macaxeira, saudade da Av Norte, da 17 de agosto, da Av Caxangá, saudade. saudade da mensagem "passo por voce que horas?".

saudade das arvorés, das ruas, do tempo e do vento. saudade do som, do grito, do bom e velho portugués. 

saudade das pessoas. saudades.

saudades do encontro, da palavra, do abraço. saudades da família, dos amigos, do meu bem querer, saudade de um cangote, de um toque. saudade de quando eu achava que entendia o idioma do olhar. saudade de quando eu supostamente entendia o significado de amar.





Eu corro, fujo desta sombra
Em sonho, vejo este passado
E na parede do meu quarto
Ainda está o seu retrato

Não quero ver pra não lembrar
Pensei até em me mudar
Lugar qualquer que não exista
O pensamento em você

E eu
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você


Não sei por que você se foi
Quantas saudades eu senti
E de tristezas vou viver
E aquele adeus não pude dar


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Odeio os indiferentes

Odeio os indiferentes. Acredito que  “viver significa tomar partido”.  Não podem existir os apenas homens, estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão, e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, covardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes. A indiferença é o peso morto da história.

(...)

Pero nadie o muy pocos culpan a su propia indiferencia, a su escepticismo, a no haber ofrecido sus manos y su actividad a los grupos de ciudadanos que, precisamente para evitar ese mal, combatían, proponiéndose procurar un bien.

(....)

Odeio os indiferentes também, porque me provocam tédio as suas lamúrias de eternos inocentes. Peço contas a todos eles pela maneira como cumpriram a tarefa que a vida lhes impôs e impõe quotidianamente, do que fizeram e sobretudo do que não fizeram. E sinto que posso ser inexorável, que não devo desperdiçar a minha compaixão, que não posso repartir com eles as minhas lágrimas. Sou militante, estou vivo, sinto nas consciências viris dos que estão comigo pulsar a atividade da cidade futura que estamos a construir.

Gramsci, Antonio (1917) “Paso del saber al comprender al sentir y viceversa...”, en Cuadernos de la cárcel. Tomo II. México, Biblioteca Era. pág. 164.

sábado, 10 de setembro de 2016

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Você

não percebe mas tuas atitudes continuam me afetando. Estou vivendo um jogo de imagens esperando que você se recupere - da depressão, da tristeza, da vida. Eu deveria ser mais sensível aos teus sentimentos mas honestamente já não aguento mais. "Conversamos em algumas semanas, alguns meses" como se eu tivesse estômago para viver tanto silêncio até lá. O que mais me encantava na nossa relação eram nossas conversas, nossa vontade de organizar as coisas... e hoje você ignora meu pedido para conversar como se fosse a coisa mais normal do mundo. Você ignora os fatos, os tempos, os dados. Você ignora minha dor diária como se fosse possível construir uma relação baseada em pedidos de silêncio. E a esperança de um filho. Estou te entregando meus dias com medo de viver o maior arrependimento da minha vida... por fraqueza, por falta de coragem. Por você, por um amor supostamente já vivido.