sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

descobertas #parte2

Eu sempre acreditei nos limites, nos instintos. Para todos os fatores da minha vida, eu achava que quando chegasse no limite, ia existir alguma prova. Não foi muito diferente, na maioria das vezes apareceram.

Depois de muita luta, comecei os últimos seis mês do ano com muitas dificuldades. Sair do Brasil e começar uma nova vida, não foi nada fácil; embora eu conhecesse o percurso. Tiveram momentos que pensei em desistir, tive medo de onde estava, olhei várias vezes quanto pagaria por antecipar o voo, escrevi várias vezes para mim mesma, tomei café de uma forma louca. Porém, paralelo, a tudo isso, eu estava lendo textos e livros que a maioria estava de acordo com meus pensamentos desde muito tempo - e encontrar-los foi o céu. Apesar de tantos problemas, eu estava gostando de discutir e aprender. E deixar o confortável lugar de aprendiz foi ficando em segundo plano.

Mudei de casa, tentei criar um lar. Tentei ser forte e coloquei uma capa de super herói que somente demorou algumas semanas. Desarrumei o lar e fui descobrindo um mundo que até então era quase desconhecido. Eu precisava mudar, e o semestre era a prova de fogo. Obviamente ninguém tem obrigação com ninguém e o mundo de flores era uma tremenda aparência.

Para completar o pacote, vou descobrindo que muito longe de onde estou, meu nome era citado da pior forma possível... Ao ponto de uma pessoa soltar indiretas nas redes sociais e me apagar de todos os lugares depois. Minha vontade era mandar aqueles emails desagradáveis, mas achei melhor ficar em silêncio e achar que não foi comigo. Afinal de contas, nada iria mudar mesmo.

A saudade da minha cidade foi apertando, fui querendo um abraço verdadeiro, participei de lindos momentos sem saber se era real, aproveitei até onde podia. Reconheci os velhos amigos, troquei boas mensagens com outros e o semestre foi caminhando.

Academicamente e profissionalmente me sinto bem posicionado e com a vida cheia de possibilidades. Em algum momento tive medo de não conseguir alcançar os objetivos que foram colocados pra mim, e tiveram momentos que pensei em desistir, mas felizmente fui forte o suficiente para continuar.

A vida segue.. E para finalizar o semestre estou realizando uma linda viagem no centro e no sul do país que estou. Poderia aproveitar mais, porém reconheço meus limites e os motivos.

Finalizo o ano com a sensação de incompreensão. Durante 12 meses em vários momentos fui mal interpretada, e confesso que ainda dói. Chega um momento que já não podemos decidir pelo outro, cada quem deve se fazer responsável pela sua vida. E por essas e outras que também vou perdendo a fé no ser humano.

Que pelo menos 2017 traga algo de positivo para o mundo político... Eu já sofri demais com a vitória de Trump e a saída de Dilma. Eu não alcanço mais algo pior. E espero que não haja!

Como afirma Gabriela Mistral: la humanidad es todavía algo que hay que humanizar....

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

tentativas

em setembro de 2014 foi o período que mais me senti feliz por mais tempo. eu tinha acabado um relacionamento depois de muito desgaste, estava finalizando a faculdade e estava certa que de alguma forma ia sair da casa dos meus pais. mas a vida foi seguindo e tudo foi mudando. e desarrumando.

eu sabia, de alguma forma, que aquela felicidade era impossível de sustentar.

lembrei disso depois de analisar minha vida atual. honestamente estou bem. estou num período da minha vida que deveria me sentir extremamente confiante, contente e segura. atualmente estou numa boa fase. de uma forma geral.

porém, não me sinto feliz durante semanas seguidas, muito pelo contrário. dois, três, quatro dias... e tudo fica difícil outra vez. não me sinto fechando ciclos, me sinto emocionalmente desgastada, me sinto cansada. mas estou seguindo todo figurino.

quando passei no mestrado e fui comemorar com uns amigos, uma grande amiga me dizia "pronta?" e eu dizia "me sinto entrando nesse ciclo heteronormativo e estou com medo". e vez ou outra ela me manda uma mensagem para saber como vai tudo.

outra grande amiga, horas antes de que eu pegasse o voo, me enviou várias mensagens para perguntar se eu realmente estava segura do que estava fazendo. mensagens tão honesta que ignorei em primeiro momento. óbvio, com minha família não foi diferente. todos me perguntavam o mesmo.

eu não sei o que o mundo reserva. mas se tenho certeza de algo, é que: EU ESTOU TENTANDO.