quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

LGBTTT+


"Eu não quero que meu filho seja gay!"
Eu rebato essa frase com:

Eu não quero que meu filho precise esconder sua sexualidade por ter uma família que não o respeita. Eu não quero que minha filha ache que não existe formas de se proteger quando transa com sua namorada e não busque alternativa e que fique vulnerável as doenças sexualmente transmissíveis. Eu não quero que meu filho seja mais um número nas estatísticas. Eu não quero que minha filha seja piada nos almoços de família porque não apresentou nenhum namorado homem-cis. Eu não quero que meu filho seja morto numa boate porque só pode beijar seu namorado em locais privado com a bandeira LGBTTT+ na porta. Eu não quero que minha filha me apresente sua namorada como amiga porque tem medo da minha reação. Eu não quero que meu filho tenha medo da sua família; Eu não quero que minha filha fique exposta aos olhares estranho da sociedade e ache que é normal ser julgada. Não podemos, e não devemos, naturalizar julgamento!



Eu quero que meus filhos sejam livres para aproveitar a vida da melhor forma possível, sem medo, sem receio e sabendo que beijar uma pessoa do mesmo sexo que ele/a não é vergonha para sua mãe.

Se depender de mim: meus filhos nunca saíram do armário pois eles nunca vão precisar se esconder em um!

sábado, 21 de janeiro de 2017

10 menos 3

- te amo
- te amo mais.




Não é sobre chegar no topo do mundo
E saber que venceu
É sobre escalar e sentir
Que o caminho te fortaleceu

(..)

A gente não pode ter tudo
Qual seria a graça do mundo se fosse assim?
Por isso, eu prefiro sorrisos
E os presentes que a vida trouxe
Pra perto de mim

Música Trem-Bala de Ana Vilela

sábado, 14 de janeiro de 2017

Amélia e seu feminismo cego. Vamos problematizar?


Sempre fui muito puta com esse feminismo leigo de internet. Já escrevi diversos textos sobre isso, mas é incrível como as mulheres continuam me surpreendendo. Vamos logo esclarecendo algumas coisas antes de continuar.

 Feminismo é um movimento política criado por mulheres para lutar a favor dos direitos igualitários, já que historicamente as mulheres eram vistas como 1) mão de obra barata para fábricas, 2) corpo que gera um filho para o homem e 3) empregada doméstica do marido. Ao longo dos anos o feminismo passou por três fases (ou "olas" para os academicistas de plantão) e suas histórias e seus objetivos foram mudando ao longo do percurso. Então, dizer que é feminista sem conhecer pelo menos o conceito e história, pra mim é a maior merda que uma pessoa pode fazer.

Hoje, na internet pelo menos, dizer que é feminista é muito louvável. Porém as práticas machista no dia a dia continuam prevalecendo. "Mas Sara essas pessoas estão aprendendo sobre feminismo ainda!" Veja bem, uma coisa é aprender e buscar, outra beeeem diferente é abraçar uma modinha pé de chinelo e continuar com os comportamentos que claramente (se você estudou e buscou vai saber) que o feminismo critica. Por exemplo: vangloriar e favorecer uma pessoa pelo fato de ser macho.

Atualmente estou convivendo com uma pessoa que justifica tudo com "sou feminista" quando na realidade o feminismo aprece de forma distorcida para justificar suas loucuras, porém os comentários são os mais terríveis no dia a dia. Outro dia por exemplo disse "vamos olhar essas sete dicas de como ser uma boa esposa...olha, eu não sou uma boa esposa, ele vai me trair!", ou quando ela diz com frequência "ele vai chegar cansado do trabalho, eu preciso organizar nosso quarto e fazer sua comida". Em nenhum momento existe uma parceria da parte desse casal. Em nenhum momento. Ela é a Amélia, ele leva dinheiro para eles e ela, que um dia foi independente financeiramente, depois do casamento largou tudo para investir no marido (palavras dela!).

"Mas feminismo não é isso" disse eu num dia que estava cheia de tanta besteira, e sua resposta foi "no feminismo a mulher pode fazer o que quiser", pra mim isso é liberdade de QUALQUER SER HUMANO, mas pra ela é feminismo. Adianta entrar num discussão com um ser humano desses? Não adianta!

Se você acha que esse é um caso em particular, possivelmente ninguém nesse mundo tem coragem de compartilhar sua vida com você. Convenhamos, o mundo é cheio de Amélias pagando de feminista!

Sou feminista, estudo sobre feminismo, mas não me identifico com essa moda de feminismo de internet. Eu acho que: se você tem facebook ou blog para pagar de feminista, tem tempo de buscar uns textinhos sobre o assunto.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

coração vermelho



"Ontem conversava com um amigo, que é revoltado como eu..." disse meu tio, no almoço de uma segunda-feira quente em Recife. Conversamos por horas sobre a política brasileira e mundial depois de muitos meses sem nos encontrarmos.

Chegar em Recife é renovar as energias. É falar de política enquanto tomo uma cerveja com as amigas ou na mesa do café da manhã com meu primo. FORA TEMER! Chegar em Recife é escutar música de raízes africanas e ao fundo um monumento de um negro - escravo - quebrando as correntes. Onde mais eu poderia me sentir tão em casa?

Chegar em Recife é participar do mesmo evento que um ex-namorado tocava - depois de quase 10 anos sem nos encontrarmos - e lembrar com muito carinho de toda nossa história. "Você deveria participar com a gente!" disse antes que eu fosse embora.

Chegar em Recife... é chegar em casa sem medo.
Chegar em Recife é escutar meu idioma na boca de todo mundo e ficar orgulhosa do sotaque.
Chegar em Recife...é recordar os bons momentos mesmo sabendo que eles nunca vão voltar.
Chegar em Recife é uma eterna mistura de sentimentos.

"¿Qué culpa tengo yo de tener la sangre roja y el corazón a la izquierda?"

sábado, 7 de janeiro de 2017

teu rio, teu meio

Olinda continua linda, com suas ladeiras coloridas, a Skol quente e à noite de sábado que ainda nem começou. O cheiro continua igual, a ânsia pelo Carnaval sentimos em cada passo. O bloco na rua anuncia alguma comemoração enquanto eu aproveito da arquitetura. Os quatro cantos cheio de gente, a Praça do Carmo com seu maracatu... Talvez a saudade que invadia tanto meu peito tenha diminuído com tantos sons.

O cheiro de urina e o medo ao passar às 21horas na ponte que leva a Livraria Cultura continuam iguais. Recife. Tomar uma cerveja na Rua da Moeda nunca foi tão nostálgico. Entre o sol da Boa Vista e um café, eu penso como fui maquiando minha cidade. Recife, com essa beleza política e a gente nesses conflitos?! Como te explicar? Como te desenhar?


Recife. 2017. *todos os direitos reservados.

Te desenho a partir do Mercado da Boa Vista, com um copo de cerveja na mão, agradecendo por você permanecer no mesmo lugar. Tuas avenidas, tuas pontes, teus rios. Existe uma vontade de ficar e um desejo de ir. E ficar é nesse sentimento louco que jamais ninguém vai explicar.

Recife, você fudeu meu coração!