sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

vem 2018

Definitivamente 2017 foi um ano de grandes mudanças e conhecimento pessoal.

Foi maio-junho que eu soube que eu estava num relacionamento tóxico, foi quando ele explodiu, rasgou a cortina do banheiro, quebrou uma prateleira, pegou o pedaço de pau e ficou batendo nas paredes enquanto eu estava nua no box chorando... naquele dia eu achei que ele ia me bater, ou pior, ele ia me matar. Ele só voltou a sanidade - ou parte dela - quando olhei nos olhos dele e disse que estava com medo. Ele paralisou e começou a chorar como uma criança, mas infelizmente o estrago já estava feito, dentro de mim só existia medo e arrependimento. E foi ali, naquele momento que notei que eu carregava os problemas dele e os meus. Estávamos a quase 10.000km de distância da família dele e da minha. Só me restava me fortalecer até o dia de ir embora. Me restou abraçar as poucas amigas que eu tinha feito naquela cidade.

Eu achei que nunca ia compreender como um cara podia ser tão legal num minuto e tão destruidor no outro. Eu achei que ia enlouquecer! Eu achei que estava louca. Eu questionei minha saúde mental várias vezes. Eu questionei minha saúde mental quando ele me chamou de ciumenta para amigas como forma de piada, ou quando ele questionou meu nível de capacidade para conversar. Eu era conhecida como louca pela família dele, escandalosa toda vez que eu brigava com ele porque ele se envolveu com outra mulher. Ninguém entendia que minha auto estima estava no buraco!

A separação veio como resposta a tantos anos de indecisão, não foi fácil, mesmo sabendo e reconhecendo todo processo, eu chorei incansavelmente por cinco dias seguindo. Não tive ninguém ao lado para dizer "isso vai passar" e tão pouco aquele tapinha nas costas de "vai ficar tudo bem" nos dias triste e solitários.

Precisei de muita terapia e remédio psiquiátrico para dormir e continuar funcionando normalmente, quando achei que estava melhor,  veio a vida mostrar que nem tudo ia ser tão simples.

Ele me agrediu fisicamente meses depois e o slong "mas ele nunca me bateu" virou passado. Foi terrível todo processo, TERRÍVEL, e eu tive que suportar tudo sozinha. Não fiz B.O e as poucas pessoas a quem eu contei sobre a agressão, vinharam com tudo pra cima de mim. Como eu, mulher feminista e independente, não iria denunciar uma agressão? Mas bem, eu tive medo. Medo da família dele, medo dele, medo do processo de violência que eu iria sofrer na delegacia, medo de contar novamente o ocorrido. Medo! E apenas uma amiga acolheu esse meu medo. Apenas uma!

Uma (ex) colega (do movimento lésbico-feminista), com quem tive um pequeno envolvimento, e soube da agressão: não foi nada empática, muito pelo contrário, deslegitimou todo meu processo. E eu só fiquei na certeza que a melhor coisa que eu poderia fazer era respeitar a mim mesma longe de gente "politicamente correta".

Tive que lidar com a agressão na terapia, em lugar privado. Com medo, receio, arrependimento.

Mas nem tudo foi desgraçada em 2017, tive bons momentos. Foi em 2017 que fiz minha primeira viagem sozinha, conheci pessoas maravilhosas e dentro de uma experiência pessoal incrível, mudei minha dissertação. Foi em 2017 que entrei de fato num coletivo feminista, conheci o Movimento Sem Terra e tive encontros maravilhosos! 

E para 2018, estou planejando mais viagens sozinha, mais aprendizagens e por fim: Ser Mestre em Estudos Socioculturais!

Ainda estou construindo como será minha virada de ano, mas eu quero que seja com muita energia, muita luz, muito mato e muita areia!

Vai um camping aí?

7 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Eu fiquei triste lendo o teu texto, pois o relatado realmente é uma realidade a qual, infelizmente, todas nós estamos expostas.
    Eu já passei por isso, não exatamente por uma agressão física, mas sim psicológica, muitas vezes bem pior. Relacionamento em que você é posta como inferior, acredita nisso e ainda se sente culpada por erros que não foi você quem cometeu. O pior de tudo é o nosso castigo cotidiano e constante em ficar batendo na mesma tecla de que "tudo bem, eu não sou boa o bastante, eu mereço". É triste quando a gente se convence de que merece... Pois nnguém merece! 

    E realmente nunca ninguém está do nosso lado... Até mesmo as outras pessoas nos acham culpadas pelos erros do canalha! E a família dele, então? Não importa o que seja, sempre estão do outro lado.

    Ao mesmo tempo, fiquei muito feliz pela sua postura diante de tudo. Se reerguer é importante para nós nos reconhecermos, ficarmos cientes da força que temos e que tantas vezes nem sabemos. E ter essa percepção que você tem sobre o que viveram é resultado de uma sanidade incrível. Parabéns.

    Te desejo uma ótima virada, que seu novo ano seja repleto de felicidade e de pessoas que somam, multiplicam. Pessoas que se importam.

    Senti saudades daqui. 😘

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  3. Que o ano de 2018 seja um Ano muito abençoado.
    Beijos.

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  4. Olá, seu texto deixou-me triste pelo facto de ainda existir que se acha dono(a) da outra pessoa, não se deve admitir a tentativa, muito menos uma agressão física ou verbal, caso contrario, é como seja dado autorização para a próxima, na vida somos o que somos, só nos aceita quem quer, para aceitar tem que ter o devido respeito, o dialogo calmo resolve tudo a bem.
    Desejo-lhe feliz ano de 2018,
    AG

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  5. Sara,

    Chorei lendo. Não consigo nem imaginar o que seja isso, mas consigo sentir o quanto doeu. E consegui notar, mais adiante, que apesar das cicatrizes você está se curando de um jeito leve.

    Fico aliviada que tudo tenha passado, apesar da maneira como passou. Espero que 2018 seja um ano de colheitas só boas. Que todos os seus projetos se concretizem. Que a felicidade fique.

    Um beijo grande.

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