quarta-feira, 12 de setembro de 2018

ASSÉDIO

no instituto que faço doutorado é muito comum receber estudantes de mestrado ou doutorado de outros países e principalmente que esses estudantes ofereçam cursos para os alunos dos programas.

no final de agosto chegou um colombiano para fazer seu intercambio no laboratório de gênero, linha de pesquisa que faço parte na instituição. até aí tudo ok. estava programado para ele oferecer um curso de gênero e família na américa latina e todos ficamos empolgados, afinal de contas, os trabalhos feitos em Colômbia sobre as questões de gênero é muito relevante.

como ele é novo na cidade e na instituição, e ninguém do doutorado é da cidade, então juntou o útil ao agradável, ele começou a partir de TODAS AS SAÍDAS que a gente fazia, inclusive em festas na minha casa. até aí não teria problema nenhum, porém pouco tempo depois ele começou a se aproximar de mim de uma forma diferente, e se nos encontrávamos nos corredores do instituto, ele me chamava para almoçar ou tomar uma cerveja, propostas essas que sempre neguei.

a última gota foi dentro do curso que ele estava oferecendo e que minha presença era obrigatória, assim como todos do doutorado. bem, foi uma experiência ruim regada a olhadas, comentários e afins da sua parte. fora os comentários de todos da sala perguntando o que estava acontecendo, pois era nítida a vista de todos. no último dia do curso ele perguntou se eu iria no final de semana para uma cidade vizinha com o grupo do doutorado, sua aproximação foi tocando na minha cintura.

essa viagem estava sendo planejada por um companheiro de sala e eu estava segura que não iria pois ele estaria nela, e passar o fim de semana com essa pessoa para mim seria o limite do desconforto. 

pois bem, depois de pensar tanto sobre o assunto e buscar estratégias de avisá-lo sobre meus incômodos (e ficar respaldada caso fosse necessário para alguma demanda institucional): enviei uma mensagem clara e direta que foi respondida com "às vezes acontece comigo dar muito amor (é o meu jeito de ser) e as pessoas entendem mal. Peço desculpas se a incomodei e tenha mais um amigo".

não, não estou interpretando de forma errada a situação: é assédio!

ASSÉDIO!

4 comentários:

  1. Que pena! Temos que ter cuidado sempre! beijos, chica

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  2. Já aconteceu várias vezes aqui em estabelecimentos de ensino.
    Esta malta não percebe que há limites??

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  3. Caros amigos leitores,

    convidamos-vos a ler o capítulo 10 da nossa história escrita a várias mãos "Janelas de Tempo"
    http://contospartilhados.blogspot.com/2018/09/janelas-de-tempo-capitulo-10.html

    Votos de excelente fim-de-semana.
    Saudações literárias!

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  4. E pensar que, infelizmente, essa é uma realidade universal. Em várias instituições, independentemente de quais sejam. Espero pelo menos que após o seu aviso as coisas tenham mudado. Porque na maioria das vezes, prossegue, e quando falamos mais alto, ou a culpa é nossa ou somos loucas.

    Vamos juntas! Vamos denunciar, sempre. É assédio. E ponto.

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